Fugindo um pouco do foco do nosso blog que é falar sobre a juventude de Cariacica, resolvi divulgar pra vocês um blog bem interessante que conheci ontem, após conversar com alguns amigos da faculdade. Mas esse blog nos faz refleti sobre alguns assuntos que também influenciam na juventude do nosso município.
Apesar de o blog ser de um colega de classe, o versátil Fábio Chagas, não estou aqui fazendo propaganda para um amigo, mas porque os textos são muito bons. Estou falando do blog “Aproveitando o assunto”.
Nele vi um post muito interessante sobre um vídeo de outro amigo de faculdade ( Alex Rosa de Andrade – só tenho amigos talentosos). O título do vídeo já é muito intrigante e nos chama a reflexão, “Você viu um negro por aí?”.
Tive a oportunidade de assistir esse vídeo, gostaria de mostrá-lo aqui, mas não o achei disponível no Youtube. Mas no vídeo, Alex sai com uma câmera pela Ufes e sem preparar os entrevistados, já filmando pergunta: Você viu um negro por aí? A reação é preocupante, nem mesmos os negros se assumem como tal.
Esse vídeo retrata duas duras realidades: a não presença de negros na única Universidade pública do Espírito Santo, assim como escancara o grande preconceito que existe na nossa sociedade que se reflete na negação da auto-afirmação: “eu sou um negro”.
Uma pesquisa realizadas pelo programa Conexões de Saberes da Ufes (do qual fazem parte o Alex, o Fábio e do qual eu também participei), revela que do universo de cerca de 10 mil universitários que responderam à pesquisa, menos de 2% se auto-declararam negros.
Enquanto participei de programa, tive a oportunidade de refletir bastante sobre a condição do negro no nosso país e em especial no nosso Estado. E o que percebo após várias discussões, e que fica ainda mais nítido nesse vídeo, é o quanto é difícil se assumir enquanto negro nesse país, da carga histórica de sofrimento, descaso e preconceito que essa afirmação carrega consigo.
Aí fica uma reflexão: Será que não há mesmo a necessidade de cotas para negros na Universidade Federal do Espírito Santo?
Será que apenas as cotas sociais, que a Ufes adotou, conseguirá suprir esse déficit do segmento negro na Universidade?